jueves, 3 de julio de 2008

LENDA DE NANAN

Olorun enviou Nanan e Oxalá para viverem na Terra e criarem a humanidade.
Os dois foram dotados de grandes poderes para desempenharem essa
tarefa, mas somente Nanan tinha o domínio do reinado dos eguns, e
guardava esses segredos, bem como o da geração da vida, em sua cabaça.
Oxalá não se conformava com esta situação, queria poder compartilhar
desses segredos. Tentava agradar sua companheira com oferendas para
convencê-la a revelar seu conhecimento.
Nanan, sentindo-se feliz com as atitudes de Oxalá, decide mostrar-lhe
egun, mas apenas ela era reconhecida nesse reinado.
Certa vez, enquanto Nanan trabalhava com a lama, Oxalá, disfarçando-se
com as roupas dela, foi visitar egun, sem lhe pedir autorização.
Quando Nanan, sentiu a falta de Oxalá e de sua própria vestimenta, teve
certeza de que ele havia invadido o seu reinado, atraiçoando-a gravemente.
Enfurecida com a descoberta, resolveu fechar a passagem do mundo
proibido, deixando Oxalá preso.
Enquanto isso, Oxalá caminhava no reinado de Nanan, tentando descobrir
seus mistérios, mas apenas ela conseguia comunicar-se com os eguns.
Egun, sempre envolto em seus panos coloridos, não tinha rosto, nem voz.
Oxalá, usando um pedaço de carvão, criou um rosto para ele, como já havia
feito com os seres humanos, e, com seu sopro divino, abriu-lhe a fala.
Assim, ele conseguiu desvendar os segredos que tanto queria, mas, quando
se deu conta, viu que não conseguia achar a saída.
Nanan não sabia o que fazer, por isso fechou a passagem para mantê-lo
preso até encontrar uma forma de castigá-lo. Contou a Olorun sobre a
traição de Oxalá, que não aprovou a atitude de ambos. Nanan errou ao
revelar a Oxalá os segredos que o próprio Olorun lhe confiara. Para
castigá-la, tomou o seu reinado e o entregou a Oxalá, pois ele desempenhara
melhor a tarefa de zelar pelo eguns. Oxalá também foi castigado, pois
invadiu o domínio de um outro orixá. Daquele dia em diante, Oxalá seria
obrigado a usar as roupas brancas de Nanan, cobrindo o seu rosto com um
chorão, que somente as iyabás usam