jueves, 3 de julio de 2008

LENDAS DOS ORIXÁS

LENDAS DOS ORIXÁS
Exú - Ogun - Odé/Oxosse - Ossain - Xangô
Oxun - Logun-Edé - Yansan - Yemanjá - Obaluayê/Omolú
Oxumaré - Nanan - Oxalá
O QUE SÃO ORIXÁS ?
Muita gente acredita que os orixás são seres inferiores, perversos e de
pouca luz. Ou, então, chegam a defini-los como criaturas demoníacas, com
grande poder de destruição, usados somente para o mal. Mas, então, o que
realmente são os orixás?
Para nós, os orixás são seres divinos criados por Olorun, nosso Deus único,
que o auxiliaram na criação do universo e de todos os seus componentes. A
partir daí, eles ganharam a função de intermediários entre o criador e a
criatura. É através deles que podemos tentar chegar um pouco mais perto de
Deus, se isso não for muita pretensão para nós, meros mortais.
Segundo os yorubás, os orixás são os donos da nossa cabeça, ou "ori", e
nossos protetores individuais. Eles estão sempre tentando nos transmitir
seus conhecimentos, que, muitas vezes, passam desapercebidos pela nossa
razão, mas não pelos nossos sentidos. Infelizmente, não damos a devida
importância a esse fato, achando que são "coisas da nossa imaginação".
Segundo acreditamos, houve uma grande ruptura entre os seres humanos e
os orixás, que antes viviam lado a lado, cada um podendo visitar o mundo um
do outro; ou seja, a Terra (aiye) e o céu (orun), estavam ligados entre si, não
existindo barreiras. Algumas lendas do Candomblé contam que tudo corria
muito bem, até um ser humano desrespeitar a ordem estabelecida por
Olorun. Seu erro foi adentrar em um local proibido, maculando-o com a
sujeira da Terra. Isso não foi perdoado, e a separação tornou-se inevitável.
Assim, Oxalá soprou o seu hálito divino sobre a Terra, criando o ar
atmosférico, que seria, daí em diante, a barreira entre esses dois mundos.
Desde então, os seres humanos vivem tentando alcançar o céu e seus seres
encantados, sem obter resultado.
Nós, através do Candomblé, conseguimos restabelecer essa ligação com o
orun, e temos o poder de presenciar claramente a manifestação da centelha
divina em nosso interior, que é a experiência mais maravilhosa que alguém
pode experimentar. A esse conjunto de mecanismos criados pelos seres
humanos para tentar chegar mais perto do criador e reatar, assim, a
comunicação interrompida no passado, é a melhor definição para a palavra
religião.
Há varias formas de um mesmo orixá, isto é, existem vários tipos diferentes
provenientes de uma mesma origem divina. A esse fenômeno damos o nome
de qualidades. Tomemos o exemplo do orixá Oxun, que reina nas águas doces.
Ele irá subdividir-se em várias formas ou qualidades, como: Pondá, Opará,
Kare, Topé, etc. Todas essas qualidades têm a mesma essência, mas diferem
entre si em muitas coisas, inclusive no que diz respeito a seus fundamentos e
rituais. Esse tema é muito complexo, gerando dúvidas até mesmo entre os
babalorixás.
Por isso, para podermos detectar o orixá de uma pessoa, assim como sua
forma ou qualidade, é preciso consultar o oráculo de Ifá, ou jogo de búzios.
Não existe outro meio mais seguro e eficaz.
Através dos búzios, um bom sacerdote será capaz de identificar, o orixá ao
qual a pessoa pertence, e também verificar se há, realmente, a necessidade
de se fazer a iniciação. Caso isso seja inevitável, a pessoa em questão deverá
passar por vários preceitos de confirmação até o dia da feitura. É
fundamental que não haja erros de espécie alguma, pois é com a vida de um
ser humano que estamos lidando.
Quando o babalorixá identifica o orixá de alguém, terá, necessariamente de
levantar todos os detalhes que estão ligados a ele, como a família ao qual
pertence, as oferendas de que gosta, o tipo de comida que mais lhe agrada,
seus lugares de ebós, rezas, cantigas, etc. É, também, muito importante
saber sobre o elemento da natureza que ele habita e domina, bem como a
função que desempenha dentro do universo.
Os orixás podem ser evocados através de rezas (aduras), cantigas especiais
(orikis), ou pelo seu nome dentro do plantel dos orixás (morunko). Cada um
deles tem suas cores predominantes, que derivam das três cores básicas do
universo, que, segundo os yorubas, são o vermelho, o preto e o branco. As
roupas rituais de cada orixá, além de todos os adereços e ferramentas que
lhe são peculiares, também exibirão essas cores. As comidas também são
indispensáveis nas oferendas, variando muito de orixá para orixá.
Existem infinitas lendas a respeito dos orixás, que foram transmitidas de
geração em geração, seguindo a tradição oral. Nelas encontramos casos de
casamentos entre orixás como, por exemplo, o de Xangô com Iansan. Na
realidade, o que essas lendas querem mostrar, através de uma linguagem
simples e inteligível, é que esses casamentos representam uniões entre dois
ou mais elementos da natureza. Não podemos atribuir aos orixás
características e sentimentos humanos

miércoles, 2 de julio de 2008

PONTOS CANTADOS




COSME E DAMIÃO

Doum, Doum, Doum,
Cosme e Damião.
Doum, Doum, Doum,
Vem saravá no meu Terreiro,
Com Crispim e Crispiniano. (bis)
Vai colher as flores,
Lá no meu jardim,
Vai Cosme e Damião,
E leva teu irmão Crispim. (bis)

COLHENDO ROSAS

São Cosme e São Damião,
São Damião cadê Doum…
Doum está colhendo rosas,
Nas roseiras de Oxum. (bis)

Oi bate palma maninha,
Camaradinha chegou. (bis)

Se eu pedir você me dá,
Um brinquedinho papai,
Pra eu brincar. (bis)

COSME E DAMIÃO
(na irradiação da falange do mar)

São Cosme e São Damião,
Sua Santa já chegou;
Veio do fundo do mar,
Que Santa Bárbara mandou.
Dois, dois, Sereia do Mar!…
Dois, dois, Mamãe Iemanjá!…
Dois, dois, meu Pai Oxalá.

CHEIRA CRAVO, CHEIRA ROSA

São Cosme e Damião,
A sua casa cheira,
Cheira a cravo, cheira rosa,
Cheira a flor de laranjeira.

Aí vem Cosme e Damião,
Vem por cima da maré,
Vem com Mamãe Oxum,
E a Virgem de Nazaré.

JESUS MANDOU

Jesus mandou as criancinhas,
Colher flores brancas no jardim,
Para enfeitar no dia de hoje,
O altar, o altar da Mãe Oxum.(bis)

OLHEI NO CÉU

Olhei e vi lá no céu
Lá no céu,
Três estrelas bem juntinhas,
Bem juntinhas,
Neste dia eu olhei lá na folhinha,
Era dia de Cosme e Damião.
Salve Eles!
Salve Eles!
Quem mandou foi Oxalá,
Para nos salvar.

Embala eu babá,
Embala eu,
Embala eu babá,
Embala eu.

COSME E DAMIÃO

Vamos chamar Doum,
São Cosme e São Damião (bis)
Pra vir comer rapadura de coco,
Junto com o Pai João (bis)

PRECE CANTADA A COSME E DAMIÃO

Saravá Doum, São Cosme e São Damião,
Nesta hora de agonia,
Vem salvar os seus irmãos (bis)
Pra tirar olho gordo, Doum,
Pra tirar a macumba, Doum…(bis)

IBÊIJI, IBEIJINHO

Ibeiji, Ibeijinho,
Como vem beirando o mar, (bis).
Ai como vem beirando o mar,
Ai como vem beirando o mar (bis)

Vem brincando na areia,
Com a espuma do mar,
Vem correndo e pulando,
Sempre a cantarolar,
Vem trazendo alegria,
Com a benção de Oxalá.

Ibeiji, Ibeijinho, …

COSME E DAMIÃO

Papai mandou as criancinhas,
Apanhar as flores no jardim (bis)
Tem rosas para Cosme e Damião, para Crispim,
Pra Simiano tem jasmim.

Hoje tem alegria no céu,
Também na terra e no mar,
Tem as flores no jardim,
Vamos todos festejar (bis)

COSME E DAMIÃO

Cosme e Damião, olha!
Rei de Umbanda já chegou, (bis).
Meu Deus, Cosme e Damião,
Vem saudar os seus irmãos (bis)

A estrela e a lua são duas irmãs,
Cosme e Damião,
Também são dois irmãos,
Oxalá, Ogum é o mesmo pai,
Filho de Umbanda,
Balanceia, mas não cai,
Filho de Umbanda,
Balanceia, mas não cai.

COSME E DAMIÃO, DOUM

Cosme, Damião e Doum,
No terreiro vão baixar,
Caboclinhos das matas,
Vamos todos saravar…

Saravá, saravá,
Vamos todos saravá,
Saravá, saravá,
Vamos todos saravá, oi

JAY E JOÉ

Bate palmas pra ganhar doce,
Bate palmas pra ganhar doce,

O caboclo Joé e o caboclo Jay,
Vão entrar no terreiro,
Pra depois sair, (bis)

OXALÁ GUIAN

Entre as palhinhas Tu és a flor,
Das criancinhas Tu és o amor,
Cabelos loiros olhos azuis,
Lírio Divino Santo Jesus…

Ai, ai, ai, ai, ai… lá em Belém,
Numa noite linda Jesus nasceu,
Como eu te adoro pequeno assim,
Jesus eu choro tem dó de mim,
Jesus eu choro tem dó de mim.

DOUM

Doum hoje é o teu dia,
Hoje tem alegria em todo terreiro,
Doum, ô ô Doum,
Saravá a Zambi,
Na linha de Umbanda,
Em todos os terreiros.

Ainda tem seu irmão,
Ainda tem seu irmão,
É Cosme e Damião,
É Cosme e Damião.

CRISPINIANO E CRISPIM

Povo de Angola
E a Falange de Ogum,
Agoiê pras crianças,
Cosme, Damião e Doum (bis)

Para a semana,
Vou fazer uma festança,
Muito bacana,
Para alegrar as crianças,
Mamãe Oxum,
Criança é tudo pra mim,
Cosme e Damião, e Doum,
Crispiniano e Crispim. (bis)

FESTA E GIRA DE COSME

Eu vi Cosme na beira d’água,
Comendo arroz, bebendo água,
Eu vi Damião na beira d’água,
Comendo arroz, bebendo água,
Eu vi Doum na beira d’água,
Comendo arroz, bebendo água,
Eu vi Crispim na beira d’água,
Comendo arroz, bebendo água,
Eu vi Crispiniano na beira d’água,
Comendo arroz, bebendo água.

PONTO DO JUQUINHA

Vamos apanhar caruru, você viu,
Lá na beira do rio, você viu,
Vamos apanhar caruru, você viu,
Lá na beira do rio, você viu.

GIRA DE COSME

Ai quando eu vim lá de cima,
Eu vim de pé no chão (bis)
Atirei primeira pedra,
Oi chapéu na mão. (bis)

COSME E DAMIÃO

Eu vim colher as rosas,
No meu jardim,
Eu vim colher as rosas,
Que eu plantei para Crispim,

Eles são dois irmãos,
Eles são dois irmãos,
Eles são dois irmãos,
É Cosme e Damião,
É Cosme e Damião.

CINCO MANOS

Olha aí vovó,
Eles são cinco manos,
Cosme, Damião e Doum,
Crispim e Crispiniano.(bis)

DIA DE COSME E DAMIÃO

Vinte e sete de setembro,
Meu terreiro está em festa,
Dia de todas as crianças,
Dia de Cosme e Damião (bis)

Já enfeitei meu terreiro,
Para esperar,
São Cosme e Damião (bis

COSME DAMIÃO E DOUM

Ó Doum, Ó Doum,
São Cosme e São Damião…
Ó Doum… ó Doum. (bis)

COSME E DAMIÃO

Egô, Egô:
Saravá Cosme e Damião. (bis)
Eu vou dizer a papai,
Camaradinha chegou (ô)!

Egô, Egô…
Salve Cosme e Damião!
Vamos salvar todos os beijes,
Camaradinhas chegaram. (bis)

CHEGARAM AS CRIANÇAS

Eu vou contar a Vovó,
Que os pequeninos não chegaram.
Ó, Cosminho, ó Mião,
Ó Crispim, Crispiniano…
Ó, Zezinho, Josefina,
Ó, Julinha, ó Doum…
Caindé…
E todos os Sete Encruzilhadas.

VAMOS BRINCAR

Vamos brincar, todos brincar!…
Brinquedinhos,
Vamos brincar!…
Todos brincam,
Oh ! Brinquedinhos. (bis)

PONTO DE IBEIJADA

Eu pedi a Oxalá…
Pra mandar as criancinhas…
Pra vir na banda,
Brincar e trabalhar.
Tem cocada,
Tem guaraná,
Ó crianças, venham me ajudar.

A SUA CASA CHEIRA

Cosme e Damião,
A sua casa cheira… (bis)
Cheira a cravo, cheira a rosa,
E a botão de laranjeira. (bis)

BRINCADEIRA DE IBEJI

Brincadeira de Ibeje, aê,
Segura um reino.
Brincadeira de Ibeje, aê,
Segura um reino.

O ANEL

Meu anel de pedra verde,
Que eu perdi no mar azul,
Quem achou foi Doum.
Quem achou foi Doum.

CRIANÇA DE ARUANDA

Crianças quando vem lá de Aruanda,
Iansã é quem manda…(bis)

Elas vem gritando, auê auê,
Ao romper da aurora. (bis)
Esquindim, esquindim,
As crianças brincam assim…
Esquindim, esquindim,
As crianças brincam assim… (bis)

MARIAZINHA DA PRAIA

Mariazinha da beira da praia,
Como é que sacode a saia. (bis)
É assim, é assim, é assim,
É assim que sacode a saia. (bis)

UM BALANCINHO

Seu eu pedir,
Você me dá. (bis)
Um balancinho, papai,
Pra eu brincar. (bis)

CARURU

Vamos apanhar, caruru,
No mato tem.
Vamos apanhar caruru,
Na beira do rio.
Vamos apanhar caruru,
Com o Faísca.
Vamos apanhar caruru,
Com Estrelinha.
Vamos apanhar caruru,
Com o Tufão.

É DAMIÃO

Que lindo cavalo branco,
Que aquele menino vem montado…
Descendo naquela serra,
Dizendo que é filho de soldado.

É Damião, é Damião,
É Damião no lindo cavalo de Ogum.(bis

NO JARDIM DAS ROSAS

Brincando no jardim das rosas,
Cosme e Damião vem na Umbanda
trabalhar,
Louvando o nome de Iansã,
Louvando o nome de Iemanjá.

FORMIGUINHA DE ANGOLA

Formiguinha d’Angola,
Como brinca…
Formiguinha d’Angola,
Vamos brincar.

PONTO DE HOMENAGEM PARA COSME E DAMIÃO, E OXUM

Hoje tem alegria,
Hoje tem alegria,
Hoje tem alegria,
No reino de Umbanda,
Hoje tem alegria.

Tem alegria no céu,
Hoje é dia de festa,
Vamos comemorar,
São Cosme, São Damião,
Oxum venha nos salvar.

BEIJADA

Oni Beijada ! Oni Beijada !

Fui no jardim colher as rosas,
A vovozinha deu-me a rosa mais formosa. (bis)
Cósme, Damião e Doum,
Crispim, Crispiano,
São os filhos de Ogum. (bis)

DOUM É AMIGO LEAL

Oni Beijada ! Oni Beijada !

Doum é amigo leal,
Sem Doum eu não posso ficar. (bis)

Cadê a Cosme ?
Não me leva no chão !
Cadê a Cosme ?
Cadê Damião ? (bis)

CAI, CAI SERENO

Oni Beijada ! Oni Beijada !

Cai, cai sereno,
Cai meu destino,
Me leva agora,
Para brincar com os meninos. (bis)
Vou pedir licença a Zambi,
Ao Sagrado Coroção,
Vamos todos bater palmas,
Pra São Cosme e Damião.

Oni Beijada ! Oni Beijada !

CRIANÇAS

Cosme, Damião,
Damião cadê Doum,
Doum foi passear,
No cavalo de Ogum.

O doi sereia do mar!
O doi minha Mãe Iemanjá! (bis)

Vamos brincar de roda,
Cosme, Damião e Doum. (bis)

Eles vêm montados,
No cavalo de Ogum,
Vem trazendo rosa,
Pra Mamãe Oxum.

FILHO DE FÉ

Filho de fé, estava doente,
Filho de fé, estava chorando,
Filho de fé, viu em beijada,
Filho de fé, já está cantando.

ELE VEM DO MAR

Ele vem do mar,
Ele vem da mata,
Ele vem da pedreira,
Ele vem da cascata.

UM TERREIRO ENFEITADO

Catarina você tem,
Um gongá que é uma beleza. (bis)
Um terreiro enfeitado,
Muito doce sobre a mesa. (bis)

IBEIJADA ESTÁ DE RONDA

Ibeijada está de ronda,
São Jorge de prontidão.
Salve o Povo de Aruanda,
Salve Cosme e Damião..

SUA MADRINHA É SEREIA

Ele é pequenininho,
Mora no fundo do mar,
Sua madrinha é Sereia,
Seu padrinho e Beira Mar. (bis)

No fundo do mar tem areia,
No fundo do mar tem areia,
Seu padrinho e Beira Mar,
Sua madrinha é Sereia. (bis)

IBEIJADA JÁ VAI EMBORA

Ibejada já vai embora,
Aruanda está lhe chamando. (bis)
Volto já girar no céu,
Oxalá está lhe esperando. (bis)

Ibejada já foi embora,
Aruanda está lhe chamando. (b is)
E foram pro jardim do céu,
Oxalá está lhe esperando. (bis)

QUANDO A LUA BRILHA

Quando a lua brilha no céu,
Clareia Umbanda. (bis)
Clareia a Beijada, que vem,
Lá de Aruanda. (bis)

NA BAHIA TEM UM CÔCO

Na Bahia tem um côco,
Côco que faz a cocada. (bis)
Côco que faz o manjar,
Para dar para a Beijada. (bis)

Doum, Doum, Doum,
Doum, Cosme e Damião. (bis)
Doum, Doum, Doum,
Fica sentado no chão. (bis)

martes, 1 de julio de 2008

ORIXÁ OKÔ

ORIXÁ OKÔ


(Do livro "Mural dos Orixás" de Caribé e texto de Jorge Amado - Raízes Artes Gráficas)

Orixá Okô é o deus da agricultura. Chibata de couro, cajado de madeira. Toca uma flauta de osso. Veste branco

IFÁ - ORUMILÁ

(Del libro "Mural de los Orixás" de Carybé y texto de Jorge Amado - Raíces Artes Gráficas)

Ifá u Orumilá es el dios de la adivinación. Sus vestimentas son blancas y usa el opelê para responder a las preguntas en el trabajo de las adivinas. Lleva siempre consigo una bolsa conteniendo cocos de dendê (fruto de una palmera). Su día de la semana es el jueves.



(Del libro "Leyendas Africanas de los Orixás" - Pierre Fatumbi Verger - Carybé - Editora Corrupio)

Rivalidad entre Orumilá y Ossain

Orunmilá (Eleri Ipin), el testigo del destino de los seres humanos, precisa de un criado. Va al mercado y, entre los esclavos que están en venta elige a Ossain. Lo manda a limpiar el campo para preparar las nuevas plantaciones. Sin embargo, para desesperación de Orunmilá, Ossain vuelve, a la noche, sin haber cumplido su orden. Orunmilá le pregunta por que no hizo nada. Ossain le responde:

"Todas esas plantas, estas hojas y estas hierbas tienen virtudes. No deben ser destruidas. Esta hoja por ejemplo, calma los dolores de dientes; esta otra, protege contra los efectos de trabajos maléficos; esta otra también cura la fiebre. Imposible, verdaderamente, arrancar plantas tan necesarias para la salud y la felicidad!"

Orunmilá, impresionado, decide que Ossain deberá, a partir de entonces, permanecer a su lado durante las sesiones adivinatorias, para guiarlo en la elección de los remedios que deberá prescribir a sus consultantes. Una sorda rivalidad se establece, poco a poco, entre estos dioses. Ossain, sufriendo por ser mantenido en sumisión, se vangloriaba de ser más importante que Orunmilá, pues poseía el poder de la magia mortal y de los medicamentos que preparaba. Ossain llegó a declarar al rey Ajalayé que había venido al mundo antes de Orunmilá y, siendo más antiguo, tenía derecho a su respeto. El rey Ajalayé envía un mensaje a Orunmilá. El quiere saber, entre el y Ossain, cual es el más importante de los dos. Orunmilá responde que el es mas antiguo que Ossain. El rey decide someterlos a una prueba. Los convoca, acompañados de sus primogénitos. Orunmilá llega con su hijo llamado Sacrificio. Ossain se presenta con el suyo, llamado Remedio. Los dos serán enterrados durante siete días. Aquel que sobreviva a la prueba y responda primero, con una voz clara y fuerte, al llamado que se hará al fin del último día, verá a su padre ser declarado vencedor.

Dos fosas fueron abiertas. Sacrificio y Remedio fueron colocados dentro de ellas y las cerraron. Orunmilá, volviendo para su casa, consultó a Ifá. "Mi hijo estará todavía vivo, pasados los siete días?" Ifá le aconsejó que ofrezca mucho ekuru - un plato sabroso-, torta de porotos, pimienta, un gallo, un carnero, un palomo, un conejo y dieciséis caracoles de la costa. Orunmilá preparó la ofrenda. Fue colocada en cuatro lugares: en un camino, en una bocacalle, ante Exú y en el mercado. Exú ejerció su poder sobre el conejo sacrificado. Este resucitó y cavó un agujero que fue a terminar en la fosa de Sacrificio, el hijo de Orunmilá. Así, el conejo le llevó alimento.

Remedio, el hijo de Ossain, nada tenía para comer. Pero poseía algunos talismanes que actuaban sobre la tierra y que le permitieron, así, encontrar a Sacrificio en el fondo de su cueva. Remedio le pidió comida. Sacrificio respondió: " Como puedo yo, hijo de Orunmilá, darte comida, cuando hay una disputa en juego? No ves que así el éxito será de Ossain, al quedar vivo vos para responder al llamado que va a ser hecho al fin de los 7 días?" Remedio insiste y promete a Sacrificio permanecer callado cuando se haga el llamado. Sacrificio, entonces da de comer a Remedio.

Y llegó el final de la prueba. Los jueces llaman al hijo de Ossain: "Remedio, Remedio, Remedio" Llaman en vano. Remedio no responde. "Bueno! Remedio está muerto", concluyen ellos. Seguidamente llaman al hijo de Orunmilá: "Sacrificio!" Inmediatamente, escuchan un fuerte: "Si!" Sacrificio está a salvo! Remedio sale, enseguida, igualmente vivo. Ossain pregunta al hijo la razón de su silencio, cuando fue llamado su nombre. Remedio narra el pacto hecho con Sacrificio. Comida contra silencio!

Este pacto se tornó un proverbio: "Sacrificio no deja a Remedio hablar". Significando que Sacrificio es más eficaz que Remedio. Razón por la cual, Orunmilá tiene una posición mas elevada que Ossain

OXAGUIÃ

(Do livro "Mural dos Orixás" de Caribé e texto de Jorge Amado - Raízes Artes Gráficas)

Oxaguian é Oxalá moço. Sempre de branco. Usa espada, escudo e mão de pilão. Guerreiro, seu dia da semana é sexta-feira. Come cabra, e é o dono do inhame.

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio)

OXAGUIÃ

Exê êêê

Oxaguiã era o filho de Oxalufã.

Ele nasceu em Ifé, bem antes de seu pai tornar-se o rei de Ifan.

Oxaguiã, valente guerreiro, desejou, por sua vez, conquistar um reino.

Partiu, acompanhado de seu amigo Awoledjê.

Oxaguiã não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tornou-se Elejigbô (Rei de Ejigbô). Oxaguiã tinha uma grande paixão por inhame pilado, comida que os iorubás chamam iyan. Elejigbô comia deste iyan a todo momento; comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo durante a noite, se sentisse fazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida, era sempre iyan que devia ser-lhe servido.

Chegou ao ponto de inventar o pilão para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania, os outros orixás deram-lhe um cognome: Oxaguiã, que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado.

Awoledjê, seu companheiro, era babalaô, um grande advinho, que o aconselhava no que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oxaguiã oferecer: dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante; duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele seguisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta, tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes.

Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era arrodeada de muralhas com fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.

Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores. Quando falava-se dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito. Era a expressão Kabiyesi, isto é, Sua Majestade, que deveria ser empregada.

Ao cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu, familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia.

Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babalaô para remediar esta triste situação. "Kabiyesi, toda esta infelicidade é consequência da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo, Kabiyesi! É preciso obter o seu perdão!"

Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse.

"Muito bem! - respondeu-lhe. Eu permito que a chuva caia de novo, Oxaguiã, mas tem uma condição: Cada ano, por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cortar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos, deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou quebrem-se".

Desde então, todos os anos, no fim da sêca, os habitantes de dois bairros de Ejigbô, aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia, em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair.

A lembrança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva, tanbém, na Bahia.

Por ocasião das cerimônias em louvor a Oxaguiã, as pessoas batem-se umas nas outras, com leves golpes de vareta... e recebem, em seguida, uma porção de inhame pilado, enquanto Oxaguiã vem dançar com energia, trazendo uma mão de pilão, símbolo das preferências gastronômicas do Orixá "Comedor-de-inhame-pilado."

Exê ê! Baba Exê ê!

OXALUFÃ

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio) Êpa Babá!

Oxalufã era o rei de Ilu-ayê, a terra dos ancestrais, na longínqua África. Ele estava muito velho, curvado pela idade e andava com dificuldade, apoiado num grande cajado, chamado opaxorô.

Um dia, Oxalufã decidiu viajar em visita a seu velho amigo Xangô, rei de Oyó. Antes de partir, Oxalufã consultou um babalaô, o adivinho, perguntando-lhe se tudo ia correr bem e se a viagem seria feliz. O babalaô respondeu-lhe: "Não faça esta viagem. Ela será cheia de incidentes desagradáveis e acabará mal."

Mas Oxalufã tinha um temperamento obstinado, quando fazia um projeto, nunca renunciava. Disse então ao babalaô: "Decidi fazer esta viagem e eu a farei, aconteça o que acontecer!"

Oxalufã perguntou ainda ao babalaô, se oferendas e sacrifícios melhorariam as coisas. Este respondeu-lhe: "Qualquer que sejam suas oferendas, a viagem será desastrosa." E fez-lhe ainda algumas recomendações: "Se você não quiser perder a vida durante a viagem, deverá aceitar fazer tudo que lhe pedirem. Você não deverá queixar-se das tristes consequências que advirão. Será necessário que você leve três panos brancos. Será necessário que você leve, também, sabão e limo da costa."

Oxalufã partiu, então, lentamente, apoiado no seu opaxorô. Ao cabo de algum tempo, ele encontra Exu Elepô, Exu "dono do azeite de dendê". Exu estava sentado à beira da estrada, com um grande pote cheio de dendê.

"Ah! Bom dia Oxalufã, como vai a família?"

"Oh! Bom dia Exu Elepô, como vai também a sua?"

"Ah! Oxalufã, ajude-me a colocar este pote no ombro."

"Sim Exu, sim, sim, com prazer e logo."

Mas de repente, Exu Elepô virou o pote sobre Oxalufã. Oxalufã ficou coberto de azeite e seu pano inutilizável. Exu, contente do seu golpe, aplaudia e dava gargalhadas. Oxalufã, seguindo os conselhos do babalaô, ficou calmo e nada reclamou. Foi limpar-se no rio mais próximo. Passou o limo da costa sobre o corpo e vestiu-se com um novo pano; aquele que usava ficou perto do rio, como oferenda.

Oxalufã retomou a estrada, andando com lentidão, apoiado no seu opaxorô. Duas vezes mais ele encontrou-se com Exu. Uma vez, com Exu Onidú, Exu "dono do carvão"; Outra vez, com Exu Aladi, "dono do óleo do caroço de dendê". Duas vezes mais, Oxalufã foi vítima das armadilhas de Exu, ambas semelhantes à primeira. Duas vezes mais, Oxalufã sujeitou-se às consequências. Exu divertiu-se às custas dele, sem que conseguisse, contudo, tirar-lhe a calma.

Oxalufã trocou, assim, seus últimos panos, deixando na margem do rio os que usava, como oferenda. E continuou corajosamente seu caminho, apoiado em seu opaxorô, até que passou a fronteira do reino de seu amigo Xangô.

Kawo Kabiyesi, Xangô Alafin Oyó, Alayeluwa! "Saudemos Xangô, Senhor do Palácio de Oyó, Senhor do Mundo!"

Logo, Oxalufã viu um cavalo perdido que pertencia a Xangô. Ele conhecia o animal, pois havia sido ele que, há tempos, lhe oferecera. Oxalufã tentou amansar o cavalo, mostrando-lhe uma espiga de milho, para amarrá-lo e devolvê-lo a Xangô. Neste instante, chegaram correndo os servidores do palácio. Eles estavam perseguindo o animal e gritaram: "Olhem o ladrão de cavalo! Miserável, imprestável, amigo do bem alheio! Como os tempos mudaram; roubar com esta idade!! Não há mais anciãos respeitáveis! Quem diria? Quem acreditaria?"

Caíram todos sobre Oxalufã, cobrindo-o de pancadas. Eles o agarraram e arrastaram-no até a prisão. Oxalufã, lembrando-se das recomendações do babalaô, permaneceu quieto e nada disse. Ele não podia queixar-se, mas podia vingar-se. Usou então seus poderes, do fundo da prisão. Não choveu mais, a colheita estava comprometida, o gado dizimado; as mulheres estéreis, as pessoas eram vitimadas por doenças terríveis. Durante sete anos, o reino de Xangô foi devastado.

Xangô, por sua vez, consultou um babalaô, para saber a razão de toda esta desgraça. "Kabiyesi Xangô," respondeu-lhe o babalaô, tudo isto é consequência de um ato lastimável. Um velho sofre, injustamente, preso há sete anos. Ele nunca se queixou, mas não pense no entanto... Eis a fonte de todas as desgraças!"

Xangô fez vir diante dele o tal ancião. "Ah! Mas vejam só!" - gritou Xangô. "É você, Oxalufã! Êpa Baba! Exe ê!!

Absurdo! É inacreditável, vergonhoso, imperdoável!!! Ah! Você, Oxalufã, na prisão! Êpa Baba!! Não posso acreditar e, ainda por cima, preso por meus próprios servidores!

Hei! Todos vocês! Meus generais! Meus cavaleiros, meus eunucos, meus músicos! Meus mensageiros e chefes de cavalaria! Meus caçadores! Minhas mulheres, as ayabás!

Hei! Povo de Oyó! Todos e todas, vesti-vos de branco em respeito ao rei que veste branco!

Todos e todas, guardai o silêncio em sinal de arrependimento!

Todos e todas vão buscar água no rio! É preciso lavar Oxalufã!

Êpa Baba! Êpa, Êpa!

É preciso que ele nos perdoe a ofensa que lhe foi feita!!!

Este episódio da vida de Oxalufã é comemorado, a cada ano, em todos os terreiros de candomblé da Bahia, no dia da "Água de Oxalá" - quando todo mundo veste-se de branco e vai buscar água em silêncio, para lavar os axés, objetos sagrados de Oxalá.

Também, com a mesma intenção, todos os anos, numa quinta-feira, uma multidão lava o chão da basílica dedicada ao Senhor do Bonfim, e seus descendentes de hoje, é Oxalufã.

Êpa, Êpa, Baba!!!

Por qué Oxalá usa Ekodidé

(transcrição do livro Porque Oxalá usa Ekodidé - Deoscóredes M dos Santos-DIDI - Edição Cavaleiro da Lua - Fundação Cultural do Estado da Bahia - foi mantida a ortografia original do manuscrito)

Muito tempo depois que Oduduwa chegou em Ilê Ifé e começaram a adorar o culto das Águas de Oxalá, aconteceu que, logo no primeiro ano, quando estava perto das festas Oxalá escolheu uma senhora das mais velhas do terreiro, chamada Omon Oxum, para tomar conta de todo, ou melhor, de tôda sua roupa, adornos e apetrechos, depositando com tôda benevolência nas mãos dela aquele direito especial para tomar conta de tudo que lhe pertencesse, da corôa ao sapato. Omon Oxum por nunca ter tido nenhum filho, criava uma menina. Dessa data em diante ela e a menina ficaram sendo odiadas por algumas pessoas que faziam parte nesse terreiro e que por inveja de Omon Oxum começaram a tramar novidades, procurando um meio qualquer para fazer Oxalá se zangar com ela e tomar o "achê" entregue por Oxalá. Fizeram coisas que Deus duvida contra Omon Oxum porém nada surtia efeito. Cada vez mais Oxalá ia aumentando a amisade e dedicação para Omon Oxum. Ela era muito devotada ao cumprimento das suas obrigações e não dava margem alguma para ser por êle repreendida.

Como dizem que a água dá na pedra até que fura, aconteceu que, na vespera do dia da festa, as invejosas, já desiludidas por poderem fazer o que desejavam, de passagem pela casa de Omon Oxum se depararam com a corôa de Oxalá que ela tinha areiado e colocado no sol para secar. Quando elas viram a corôa de Oxalá muito bonita e mais reluzente do que nunca, combinaram roubar a corôa e ir jogar no fundo do mar. E assim fizeram.

Quando Omon Oxum foi apanhar a corôa para guardar, não encontrou. Ficou doida. Procura daquí procura dalí, remexeram com tudo procurando em todos os cantos da casa e nada da corôa aparecer. As invejosas vendo a aflição que estava passando Omon Oxum e sua filhinha, satisfeitas pelo mal que tinham causado, riam as gaiofadas dizendo: agora sim quero ver como ela vai se atá com Oxalá amanhã quando êle procurar a corôa e não encontrar. A essa altura Omon Oxum comretamente azurantada só pensava em se matar e ja estava resolvida a fazer isso para não passar vergonha perante Oxalá. Foi quando a meninazinha, sua filha de criação disse: - Mamãe, porque a senhora não vai na feira amanhã de manhã bem cedinho e não compra o peixe mais bonito que tiver lá? A corôa de Oxalá deve estar na barriga desse peixe. E assim a menina insistiu, insistiu tanto, até que Omon Oxum se decidiu a aceitar o que a menina aconselhou, dizendo:- Fique tanquila minha filha, porque de madrugadasinha eu vou acordar para ir à feira ver se encontro com esse peixe que voce imagina ter a corôa do nosso Rei Oxalá na barriga.

A menina foi dormir tranquila. Omon Oxum coitada, não pôde dormir tôda a noite preocupada que já amanhecesse o dia para ela ir a feira ver se conseguia encontrar o dito peixe que a menina julgava ter a corôa na barriga.

Quando o dia mal tinha clareado, Omon Oxum pulou da cama, se preparou e lá se foi. Quando ela chegou na feira foi diretamente no mercado de peixe e não encontrou nenhuma escama. Ainda éra muito cedo. Omon Oxum deu uma volta pela feira e já bastante impaciente voltou ao mercado onde encontrou um senhor vendendo um peixe, cujo peixe, era o único que se encontrava no mercado. Omon Oxum comprou o peixe e foi voando para casa a fim de destrincha-lo. Queria ver se sua filha tinha aconselhado bem, para ela poder obter a paz e tranquilidade espiritual, encontrando a corôa de Oxalá. Assim que ela chegou em casa foi logo para a cosinha para abrir a barriga do peixe. Porém não conseguiu. Quando ela estava aí se acabando de chorar e labutando para abrir a barriga do peixe, a menina acordou e foi logo perguntando: - Mamãe já comprou o peixe? A senhora deixa que eu abra a barriga dele? - Omon Oxum bastante chorosa respondeu:- Minha filha a barriga dele está muito dura. Eu não posso abrir quanto mais você.

A menina se levantou, chegou na cosinha, apanhou um cacumbú e puxou rasgando a barriga do peixe, ésta se abriu em bandas deixando aparecer a corôa de Oxalá ainda mais bonita do que era antes. Omon Oxum se abraçou com a menina e de tanto contentamento não sabia o que fazer com ela. Carregava, beijava, dansava, e por fim Omon Oxum olhando para a menina e em seguida voltando as vistas para o céu, disse: - Olorun, Deus que lhe abençoe. Sua maesinha está sendo perseguida, porém com a fé que tem no seu Eledá, anjo da guarda, não ha de ser vencida. Limparam muito bem limpa, a corôa, e guardaram, muito bem guardada, juntamente com o resto das coisas pertencentes a Oxalá. Em seguida Omon Oxum cosinhou o peixe, fez um grande almôço e convidou a todos da casa para almoçar com ela dizendo que estava festejando o dia da festa do Pai Oxalá.

Ao meio dia Omon Oxum juntamente com seu, quero dizer, sua filhinha serviram o almôço acompanhado de Aluá ou Aruá, a bebida predileta de Oxalá a qual os Erê dão o nome de mijo do pai. Depois do almôço todos foram descansar para na hora determinada dar começo a festa das Águas de Oxalá.

As invejosas quando viram todo aquele movimento, Omon Oxum muito alegre como se nada tivesse acontecido a ponto de dar até um banquete em homenagem a Festa de Oxalá, ficaram malucas. Uma delas perguntou:- Será que ela encontrou a corôa? - Outra respondeu:- Eu bem disse que queimasse. - E a outra mais danada ainda dizia:- Eu disse a vicês que o melhor era cavar um buraco bem fundo e enterrar. - A primeira procurando acalmar os animos, disse para a outra:- Vamos esperar até a hora que éla apresentar as roupas de Oxalá com todos os armamentos. Se a corôa estiver no meio o geito que temos é fazer um grande ebó e colocar na cadeira onde éla vai se sentar ao lado de Oxalá. - O ebó, sacrificio, póde ser empregado para o bem ou para o mal.

Quando estava perto da hora de começar a festa, Omon Oxum apresentou a Oxalá tôda a roupa com todos os armamentos deixando as invejosas mais danadas e com mais desejo de vingança, a ponto de procurarem fazer o ebó por elas idealisado e colocar na cadeira onde Omon Oxum era obrigada a sentar-se por ordem de Oxalá.

Começou a festa com a maior alegria possivel. Oxalá chegou acompanhado por Omon Oxum e se sentou no trono. Omon Oxum sem saber do que estava sendo feito contra ela, também se sentou na sua cadeira ao lado de Oxalá. Quando começaram as cerimônias e que Oxalá precisou de colocar a sua corôa, virou-se para Omon Oxum e pediu para éla ir apanhar a corôa. Omon Oxum quiz levantar e não pôde. Fez força para um lado, para o outro, e nada de poder levantar-se, até quando éla decidiu levantar-se de qualquer maneira. Devido a grande dor que sentiu, olhou para a cadeira e viu que estava tôda suja de sangue. Alucinada de dor, e horrorisada por saber que Oxalá de fórma nenhuma podia ter nada de vermelho perto dêle porque era ewó, proibição, saiu esbaforida pela porta afora, indo se esbarrar na casa de Exú.

Quando Exú abriu a porta que viu Omon Oxum tôda suja de vermelho, disse:- Você vindo dêsse geito da casa de meu pai? Infringiu o regulamento e eu não posso lhe abrigar,- e fechou a porta.

Daí ela foi para a casa de Ogun, Oxossi, de todos Orixás e sempre diziam a mesma coisa que disse Exú. Só restava a casa de Oxum. Quando Omon Oxum chegou a casa de Oxum, esta já tinha sabido do que estava acontecendo e estava a sua espera. Omon Oxum se jogando nos pés dela disse:- Minha mãe me valha, estou perdida. Oxalá não vai me querer mais em sua casa.

Oxum disse para ela que não se preocupasse, que um dia Oxalá ía buscar ela de volta. Depois Oxum, usando de sua magia, fez com que, do lugar onde sangrava em Omon Oxum saisse Ekodide, pena vermelha de papagaio da costa, até quando sare a ferida. Oxum, depois de colocar todo aquêle Ekodidé numa grande igbá, cuia, reuniu todo seu pessoal e tôdas as noites faziam um xirê, festa, cantando assim:

BI O TA LADÊ

BI O TA LADÊ

IRÚ MALÉ

IYA OMIN TA LADÊ

OTO RU ÉFAN KOBÁJA OBIRIN

IYA OMIN TA LADÊ

E assim Oxum ricamente vestida, sentada no seu trono, com Omon Oxum ao seu lado, a cuia de Ekodidés e a vasilha para colocarem dinheiro em frente a elas, recebia as visitas de todos os Orixás que iam até lá para ver e saber porque Oxum estava fazendo aquela festa tôdas as noites. Todos que lá chegavam e se enteiravam do acontecimento, si era homem dava dodóbálé, se estirava de peito no chão para Oxum, depois apanhava um Ekodidé e colocava uma certa quantia na vasilha que estava ao lado para ser colocado o dinheiro, e se era mulher dava iká, quer dizer, se deitava no chão de um lado e do outro para Oxum e em seguida apanhava um Ekodidé e colocava também o dinheiro na referida vasilha.

Tudo aquilo que estava acontecendo no palácio de Oxum, ficou sendo muito propalado e as invejosas faziam todo possivel para que Oxalá não soubesse. Um dia, elas, sem observarem que Oxalá estava por perto, começaram a comentar o caso, onde uma delas disse:- Com ela não tem quem possa, depois de tudo o que nós fizemos, depois de ter acontecido o que aconteceu aqui no palácio de Oxalá e de ter sido enjeitada por todos Orixás, vocês não estão vendo que Oxum abrigou ela? Curou, conseguindo que do lugar que sangrava saisse Ekodidé, fazendo uma grande fortuna e aumentando a sua riqueza. Agora só nos resta é fazer com que o velho não saiba do que está acontecendo no palácio de Oxum, se não é bem capaz de querer ir até lá.

Nisso o velho Oxalá pigarreou dando a entender que tinha ouvido tôda a conversação. Ordenou a elas que procurassem saber a hora que começava o xirê no palácio de Oxum e que elas iam servir de companhia para êle poder ir apreciar o xirê e tomar conhecimento do que estava acontecendo.

Quando elas ouviram Oxalá falar desta maneira bem pertinho delas a terra lhe faltaram nos pés e o remorso montou nos seus cangótes fazendo com que elas fugissem para nunca mais voltar ao palácio de Oxalá.

A noite, depois do jantar, Oxalá cansado de esperar pelas tres invejosas e não vendo nenhuma delas aparecer, disse:- Fugiram com medo de que eu castigasse pela grande injustiça que cometeram, não sabendo de que o castigo será dado pelas mesmas.

Assim Oxalá se dirigiu para o palácio de Oxum afim de assistir o xirê e saber qual a causa do mesmo. Quando Oxalá chegou no palácio de Oxum mandou anunciar a sua chegada. Oxum mais bonita do que nunca, coberta de ouro e muitas jóias dos pés a cabeça, sentada no seu rico trono, mandou que Oxalá entrasse, e continuou o xirê cantando: BI O TA LADÊ, BI O TA LADÊ, IRÚ MALÊ, IYA OMIN TA LADÊ.

Quando Oxalá entrou ficou abismado de ver tanta riquesa e quando reparou bem para Oxum, que viu a seu lado Omon Oxum, a pessoa que cuidava dele e de tôdas suas coisas, a quem ele julgava ter perdido devido o que tinha acontecido, não se conteve, se jogou também no chão dando dodóbálé para Oxum, apanhando um Ekodidé e colocando bastante dinheiro na vasilha. Oxum quando viu o velho dar dodóbálé para ela, se levantou cantando:

DÓDÓ FIN DODÓBÁLÉ

KÓ BINRIN

IYA OMIN TA LADÊ

e foi ajudar a Oxalá se levantar do chão. Depois que Oxalá se levantou Oxum pegou Omon Oxum pela mão e entregou à Oxalá dizendo:- Aqui está a vossa zeladora, sã e salva de todo mal que desejaram e fizeram para ela para que ela ficasse odiada por vós. Oxalá agradecendo a Oxum disse:- Oxum, em agradecimento a tudo o que fizestes de bem e para amenisar os sofrimentos de Omon Oxum eu, Oxalá, prometo levar ela de volta para o meu palácio e de hoje em diante nunca hei de me separar desta pena vermelha que é o Ekodidé e que será o unico sinal desta côr que carregarei sôbre o meu corpo.

FIM

BAHIA, 5 DE SETEMBRO, 1966

los tres dominios de Oxala

(do livro História de um Terreiro Nagô - Deoscóredes Maximiliano dos Santos- Mestre DIDI - Max Limonad-Joruês Cia Editora)

O Ciclo de Oxalá, Pai de Todos os Orixás

Os Três Domingos de Oxalá

Primeiro Domingo

As festas começam da mesma maneira que as demais já descritas, com uma diferença: todos os filhos do terreiro são obrigados a vestir roupa branca e não podem comer absolutamente nada que contenha sal, sangue ou dendê.

No intervalo da festa destinada à troca de roupa dos orixás, os presentes são servidos de adié (galinha cozida somente com cebola e ori - limo da costa), ebô (milho branco cozido com água sem sal), com o acompanhamento de aluá.

Depois dos orixás terem trocado de roupa, a Iyalorixá dá a ordem para os Alabê tirarem o cântico apropriado à entrada de Oxalá, canto que serve também para os demais orixás, que já estão vestidos e esperam no barracão:

Agô lonã morê ua ni xê

Agô agô lonã

Aí entram três filhas manifestadas com o grande Oxalá, vestidas de alvo, trazendo em uma das mãos o opaxorô, um cajado prateado com muitos enfeites. Na cabeça usam o adê (coroa), um prateado e os outros dois de pano todo bordado, com contas brancas. Dançam ao som dos atabaques, agogôs e xequerés (cabaça revestida de contas) algumas cantigas:

Ô fururu ló ô rê ô

ô kenen en lejibô

Ilê ifá motiuá babá

Okêrêrê lejibô ô

Eru ya eru ya ô

Euá ô euá e xê

Quando se canta essa cantiga, o orixá Oxalufã - Oxalá velho - dança, curvado pelo peso de sua velhice.

Quando os Oxalá já dançaram bastante, a Iyalorixá tira a seguinte cantiga:

Babá uô ri uô

Mele rin ô

Babá uô ri uô

Os orixás se retiram do barracão, com várias filhas a ampará-los e segurar-lhes as vestes. Logo em seguida a Iyalorixá também se retira, dando por encerrada a festa e convidando a todos para assistir à festa do domingo próximo.

Segundo Domingo

Nesse dia Oxalá recebe, das mãos de todo terreiro, a oferenda de uma cabra, várias galinhas, patos e pombos brancos.

À tarde, depois de ser feito o Padê, o assento de Oxalá sai do Balué em cima de uma charola muito bonita, toda ornada por angélicas, carregada pela Iyalaxé, a Iyamorô e outras duas pessoas da seita. A charola é coberta com o alá, um pano grande, todo alvo, seguro por uma das mãos de cada um que ali se encontra acompanhando a procissão. Daí seguem em direção ao Cruzeiro, reverenciando a casa do Ibó. Em seguida, voltam para a Casa Grande, nome dado a uma casa branca muito comprida, onde alguns orixá, entre eles Iyá, orixá da nação Grunci, têm assentados os seus peji...

Chegando à casa, entram com o andor, recolhem o alá e depositam Oxalá no seu peji. Depois fazem o oriki(saudação) e os orixás começam a chegar, menos os Oxalá, que já vinham acompanhando a procissão.

Em seguida, levam os orixá para trocar de roupas. No intervalo, os visitantes são servidos das mesmas iguarias do primeiro domingo - adié, ebô e aluá.

Os orixá, já de roupas trocadas, chegam ao barracão e dançam as cantigas tiradas então pela Iyalorixá. Neste domingo, além de Oxalá, chegam outros, como Nanã, Iemanjá, Ogun. Dançam uma porção de cantigas, até mais ou menos 11 da noite, quando a Iyalorixá manda fazer a roda de costume. Uma das cantigas que ela tira agora é essa, que convida os orixá a entrarem no barracão e dançarem:

Durô dê uá loná

ê á um bó keuá jô

Durô dê uá loná

ê a un bó keuá jô.


Terceiro Domingo

(Ojó Odô ou Dia do Pilão) - Às três da tarde, começam os preparativos para o início das obrigações. As filhas da casa, em grande atividade, fazem o necessário para que, em uma hora, tudo esteja preparado na sala da casa de Oxalá, a Casa Grande. Na procissão do Pilão, as filhas trazem bancos, mesas, panelas, balaios, tudo forrado por panos brancos e enfeitadas com ojás e com um feixe de atori (varinhas). Reúnem-se então todas as filhas, e, depois, a mãe Iyalorixá tocando seu ajá, faz as reverências precisas e com um dos atori toca os ombros das filhas de Oxalá, até que elas são manifestadas, iniciando-se assim os festejos. Cada uma das filhas da casa vai apanhando um daqueles apetrechos, de acordo com sua posição e seu eledá(guia). Quando todos estão prontos, vão saindo em procissão para o barracão e arriam todos os objetos em ordem, fazendo uma bonita arrumação, como num peji.

Todo esse preceito é acompanhado por cânticos adequados, até que por fim os Oxalá começam a obrigação dos atori. Primeiro Oxalá se senta e a Iyalorixá lhe entrega uma das varas. Em seguida, entrega varinhas também às filhas mais velhas da casa. Tiram uma cantiga e as pessoas, que estão munidas das varinhas, vão dançando em frente a Oxalá, que, batendo com a sua própria, faz como se estivesse surrando seus filhos. Logo após, todos vão tocando com as varinhas uns nos outros, e depois em todos os presentes, ao som da seguinte cantiga:

Uá mi xorô

Uá xorô ni ilê

Tanun apê ô

Uá mi xorô

Uá xorô ni ilê Terminada essa obrigação, tiram outra cantiga, que inicia a divisão das comidas:

Ô fururu lo êre ô

Ô keienen lejibó

Ilê ifan motiuá babá

Aji bô relê mojubá ô

Oluá êruáô éuáô êuáêxê

euá ô euá exê babá

euá ô euá exê

Além das comidas de costume, é servido inhame pisado em forma de bola, que vem dentro de um pilão. Depois com um novo cântico, são retirados todos aqueles apetrechos do barracão:

Xên xên un bé lôkô

Xên xên xên xên

Nilê ô xên xên?

Os orixás começam então a dançar, como de costume. Oxalá, mais belo que nunca em suas roupas maravilhosas, dança com aquele jeito calmo todo seu, sempre apoiado em seu opaxorô.

Por volta das onze horas, faz-se a roda para dar término à festa, fechando assim todo o ciclo das obrigações de Oxalá.

Oxala


Oxala
Existe en Nigeria un monolito con las inscripciones en hebreo.

YOD Divinidad
RESH Unidad del ser
VO Origen
BETH Movimiento de luz
ALEPH Estabilidad colectiva del hombre.

Estas iniciales conforman la palabra YORUBA que significa el gran imperio del cual surgirán las razas africanas en toda su intensa cultura. El citado monolito es reconocido como el sepulcro de ODUDUWA.

Tenemos ahí un hombre protegido por OLODUMARE, cuya misión será guiar al pueblo en dirección a Dios. Fue ODUDUWA quien legó a los africanos todas las creencias que seguirán por los siglos en adelante.

Con el pasar de los milenios su figura divina fue llamada de ORIXALA (Señor de la vida) y OBA OLOKUN (Señor de los mares). A partir de ese hecho se desenvuelven dos cultos africanos, dedicados a Dios y a su corte de ángeles (Orixas y Voduns).
Hecha esta aclaración histórica hablaremos de la leyenda que envuelve a OXALA.

Habría sido el primer orixas en ser creado por OLODUMARE (ser supremo con el poder de sugerir y realizar. El Dios supremo tenía un muñeco de barro, pero este no tenía vida. Llegó OXALA y sopló por las narices del muñeco, él cual adquirió vida y condiciones para procrear, garantizando la continuidad de la raza humana. En cada nación africana se presenta con un nombre diferente y en todas ellas es el señor de la vida trayendo a sus hijos sentidos de justicia y piedad.



ARQUETIPO


(Del libro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")

El arquetipo de personalidad de los devotos de Oxalá es aquel de las personas calmas y dignas de confianza; de las personas respetables y reservadas, dotadas de una fuerza de voluntad inquebrantable que nada puede influenciar. En ninguna circunstancia modifican sus planes y sus proyectos, aún a despecho de opiniones contrarias, racionales, que las alertan sobre posibles consecuencias desagradables de sus actos. Tales personas, en tanto, saben aceptar sin reclamar, los resultados amargos de esas consecuencias.


OXALÁ


(Del libro "História de um Terreiro Nagô" - Deoscóredes Maximiliano dos Santos- Mestre DIDI - Max Limonad-Joruês Cia Editora)




El Ciclo de Oxalá, Padre de Todos los Orixás

Las Aguas de Oxalá

Los jueves por la noche, antes de iniciar los preceptos de las aguas de Oxalá, de las diecinueve a las veinticuatro horas, todos los hijos e hijas de la casa son obligados a hacer un bori (obligación que se hace con fruta llamada obi y agua) para poder cargar las aguas.

Después de ese bori, se van a descansar, hasta que son despertados por la Iyalorixá para iniciar el precepto de las aguas.

Los hijos del Axé, vestidos de blanco, salen en silencio del terreiro, en procesión, cargando vasijas y teniendo al frente a la Iyalorixá tocando su campanilla. En los tiempos de Mãe Senhora, se dirigían hacia una fuente llamada Riacho, que queda al lado de la Laguna de la Abuela, en ese terreno de San Gonzalo del Retiro. Hoy, esa obligación es hecha dentro del propio terreiro.

Media hora después, con sus vasijas llenas de agua, se apoximan a una lugar apropiado, todo cercado de paja, con una choza indígena, llamada Balué, donde se colocó el asiento del viejo Oxalá. Allí, todos presentan aquellas aguas a la Iyalorixá, que las derrama encima del asiento de Oxalá. Se hacen tres viajes a la fuente donde está el agua y, en el tercero, el agua no es derramada, quedando todas las vasijas llenas depositadas en el Balué, siendo colocada una cortina blanca en la puerta y una estera en el suelo.

Cada persona que llega se arrodilla sobre aquella estera en señal de reverencia. Algunas personas, los que tienen orixá masculino, dan Dodobalé, se acuestan a lo largo, tocando el suelo con la cabeza. Las demás dan Iká oyun iká osi, dándose vuelta de un lado y del otro, tocando el suelo con la cabeza - son las que tienen orixá femenino. Después de esa cortesía, la Iyalorixá, juntamente con todos sus hijos y fieles, comienza a cantar un saludo para Oxalá (Oriki):

Babá êpa ô

Babá êpa ô

Ará mi fo adiê

Êpa ô

Ará mi ko a xekê

Axekê koma do dun ô

Êpa Babá

Después de cantado ese saludo, todas las personas pertenecientes a Oxalá entran en trance y van hasta el Balué que es, como ya se vió, donde está el asiento del orixá.

Hacen allí determinadas reverencias y saludan a todos, agradeciendo el sacrificio de aquel día y rogando a Oduduá para que les de su bendición.