jueves, 3 de julio de 2008

LENDA DE OGUN

Ogun vivia em sua aldeia, quando foi requisitado para uma guerra, que não
tinha data para acabar. Antes de partir, ele exigiu que seus habitantes
dedicassem um dia em sua homenagem, fazendo o sacrifício de jejuar e
fazer silêncio absoluto, além de outras oferendas.
Partiu, em sua longa jornada, para os campos de batalha, onde permaneceu
sete anos. No regresso à sua aldeia, caminhou durante muitos dias, sentindo
muito cansaço. A fome e a sede também o atormentavam. Na primeira casa
que encontrou pediu água e comida, mas ninguém o atendeu, permanecendo
calados e de olhos fixos no chão.
Resolveu, então, fazer outra tentativa na próxima casa, mas a cena foi a
mesma, o que despertou sua ira. Ele esbravejou com os moradores, exigindo
que falassem com ele, mas ninguém o fez.
Não se conformava com tamanha falta de respeito, depois de ter lutado
tanto!
Ogun esperava uma recepção calorosa em sua própria aldeia, mas, ao
contrário, só encontrou silêncio.
À medida que avançava pelo interior da cidade, a mesma coisa se repetia,
casa após casa. Ogun nem imaginava o que estava acontecendo. Perguntava e
não recebia resposta.
Sua ira já estava incontrolável, quando chegou ao centro do povoado, onde
haviam muitas pessoas. Estranhou o fato de ninguém estar conversando.
Perguntou a eles onde estavam suas famílias, mas não obteve resposta. Era
uma afronta!
Foi assim que, evocando todos os seus poderes, Ogun dizimou sua própria
aldeia.
Caçadores que passavam pela cidade, entre eles seu filho, o reconheceram e
tentaram aproximar-se. Vendo que sua cólera era imensa, resolveram evocar
Exú para acalmá-lo.
A ira desse orixá finalmente foi aplacada. Seu filho, indignado ao ver tanta
destruição, indagou o motivo que levou seu pai a cometer tal atrocidade.
Ogun respondeu que aquelas pessoas lhe faltaram com respeito quando não o
reconheceram. Precisavam de um castigo.
Foi, então, que seu filho fez-lhe lembrar da exigência que fizera antes de
partir para a guerra.
Ogun, tomado pelo remorso, devido à sua crueldade com pessoas que só
estavam obedecendo ordens, abriu o chão com sua espada enterrando-se de
pé.