jueves, 3 de julio de 2008

LENDA DE OXALUFAN - OXALÁ (A CRIAÇÃO DA TERRA)

Olorun, Deus supremo, criou um ser, a partir do ar (que havia no início dos
tempos) e das primeiras águas. Esse ser encantado, que era todo branco e
muito poderoso, foi chamado Oxalá. Logo em seguida, criou um outro orixá
que possuía o mesmo poder do primeiro, dando-lhe o nome de Nanan. Os dois
nasceram da vontade de Olorun de criar o universo.
Oxalá passou a representar a essência masculina de todos os seres,
tornando-se o lado direito de Olorun. Nanan, por sua vez, teria a essência
feminina, e representaria o lado esquerdo. Outros orixás também foram
criados, formando-se um verdadeiro exército a serviço de Olorun, cada um
com uma função determinada para executar os planos divinos.
Exú foi o terceiro elemento criado, para ser o elo de ligação entre todos os
orixás, e deles com Olorun. Tornou-se costume prestar-lhe homenagens
antes de qualquer outro, pois é ele quem leva as mensagens e carrega os
ebós.
Olorun confiou à Oxalá a missão de criar a Terra, investindo-o de toda a
sabedoria e poderes necessários para o sucesso dessa importante tarefa.
Deu a ele uma cabaça contendo todo axé que seria utilizado.
Oxalá, orgulhoso por ter recebido tamanha honraria, achou desnecessário
fazer as oferendas a Exú.
Exú, vendo que Oxalá partira sem lhe fazer as oferendas, previu que a
missão não seria cumprida, pois, mesmo com a cabaça e toda a força do
mundo, sem a sua ajuda não conseguiria chegar ao local indicado por Olorun.
A caminhada era longa e difícil, e Oxalá começou a sentir sede, mas, devido
à importância de sua missão, não podia se dar ao luxo de parar para beber
água. Não aceitou nada do que lhe foi oferecido, nem mesmo quando passou
perto de um rio interrompeu a sua jornada. Mais à frente, encontrou uma
aldeia, onde lhe ofereceram leite de cabra para saciar sua sede, que
também foi recusado.
Todos os caminhos pareciam iguais e, depois de andar por muito tempo,
sentiu-se perdido. De repente, ele avistou uma palmeira muito frondosa,
logo à sua frente, Oxalá, já delirando de tanta sede, atingiu o tronco da
palmeira com seu cajado, sorvendo todo o líquido que saía de suas entranhas
(era vinho de palma). Embriagado pela bebida, desmaiou ali mesmo, ficando
desacordado por muito tempo.
Exú avisou Nanan que Oxalá não havia feito as oferendas propiciatórias, por
isso não terminaria sua tarefa. Ela, agindo por contra própria, resolveu
consultar um babalawô para realizar devidamente as oferendas. O
sacerdote enumerou uma série de coisas que ela deveria oferecer, entre
elas um camaleão, uma pomba, uma galinha com cinco dedos e uma corrente
com nove elos. Exú aceitou tudo, mas só ficou com a corrente, devolvendo o
restante à Nanan, pois ela iria precisar mais tarde. Outros sacrifícios foram
realizados, até que Olorun a chamou para procurar Oxalá, que havia
esquecido o saco da criação com o qual criaria a Terra. Nanan, após terminar
suas oferendas, foi atrás de Oxalá, encontrando-o desacordado próximo ao
local onde deveria chegar.
Ao saber que Oxalá havia falhado em sua missão, Olorun ordenou que a
própria Nanan prosseguisse naquela tarefa com a ajuda de todos os orixás.
E assim foi feito. Nanan pegou o saco da criação e o entregou à pomba, para
que voasse em círculo. A galinha com cinco dedos foi solta, para espalhar
aquela imensa quantidade de terra, e, finalmente, o camaleão arrastou-se
vagarosamente, para compactá-la e torná-la firme.
Quando Oxalá acordou, viu que a Terra já havia sido criada, e não o fora por
ele. Desesperado, correu até Olorun, que o advertiu duramente por não ter
reverenciado Exú antes de partir, julgando-se superior a ele. Oxalá,
arrependido, implorou perdão. Olorun, sempre magnânimo, deu-lhe uma nova
e importantíssima tarefa, que seria a de criar todos os seres que habitariam
a Terra. Desta vez ele não poderia falhar!
Usando a mesma lama que criou a Terra, Oxalá modelou todos os seres, e,
insuflando-lhes seu hálito sagrado, deu-lhes a vida.
Desta forma, Nanan e Oxalá desempenharam tarefas igualmente
importantes, juntamente com a valiosa ajuda de todos os orixás, que
possibilitaram o surgimento deste novo e maravilhoso mundo em que
vivemos.