martes, 7 de octubre de 2008

HISTÓRIA COMPLETA DA UMBANDA



No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se
para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida
e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.
Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e
desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma
forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da
natureza.
Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um
padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada
que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.
Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita
de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a
participar da sessão, tomando um lugar à mesa.
Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o
afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma
flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa
atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos
médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.
O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso
espiritual" e convidando-os a se retirarem.
Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _"Porque
repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa
de suas origens sociais e da cor ?"
Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito
desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.
Um médium vidente perguntou: _"Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a
manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente
atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua
veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?
_"Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá
caminhos fechados."
_"O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel
Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas
em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro."
Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:
_"Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na
casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas
mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos
humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”
O vidente retrucou: _"Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto" ? perguntou com ironia. E o espírito
já identificado disse:
_"Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".
Para finalizar o caboclo completou:
_"Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre,
poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não
contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo
além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se
apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes
mensagens do além?"
No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora
marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem averacidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do
lado de fora, uma multidão de desconhecidos.
Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava
um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que,
desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas
e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam
trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição
social.
A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por
base o Evangelho de Jesus.
O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os
períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de
branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava:
UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.
A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque
assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que
necessitassem de ajuda ou de conforto.
Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o
Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos.
O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam
neste local, praticando suas curas.
Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi
confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez
aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:
"_ Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve
arrespeitá."
Após insistência dos presentes fala:
"_Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego."
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião
pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:
"_Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro
elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia,
até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".
No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em
busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora
considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.
A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o
esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o
Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.
Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas
para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa
Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda
Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo.
Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.
Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu,
Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família
e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas
fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o
que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe,
apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.
Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes
enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo
cheques vultosos. "_Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo.
A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve
como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de
santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que
procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem
simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais.
Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês
não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os
banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento
doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.
O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou
qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por
algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da
Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.
Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio
entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel,
médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras
de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de
enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.
Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade –
RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto
grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la:
"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre
aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e
que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium
homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de
prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque
alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe
de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é
humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos
espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou
da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam
humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais
puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam
sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que
tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de
Umbanda. Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18.
Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium
aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que
trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa. Tenho
uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso.
Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela
que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e
felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos,
iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus
perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos
vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer
que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos
Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa
concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a
necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos
abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto
de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das
Sete Encruzilhadas".
Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual
em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo
Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a
quem souber e merecer colhê-los.





Neste imóvel, localizado na rua Floriano Peixoto, nº 30, em Neves, Niterói – RJ iniciou-se a religião de
Umbanda, anunciada no dia 16 de novembro de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.





Cabana do Pai Antônio - Neste espaço Umbandista, Zélio Fernandino de Moraes dava segmento aos
trabalhos caritativos, através do iluminado e querido Preto Velho Pai Antônio. Localizava-se em Boca do
Mato, Distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ.





O QUE É A UMBANDA
Vejamos o que nos diz o Aurélio:
Verbete: umbanda [Do quimb. umbanda, 'magia'.] S. m.
1. Bras. Forma cultual originada da assimilação de elementos religiosos afro-brasileiros pelo espiritismo
brasileiro urbano; magia branca.
2. Bras., RJ. Folcl. Grão-sacerdote que invoca os espíritos e dirige as cerimônias de macumba. [Var.:
embanda.]
UMBANDA é religião !
Se dentro da Umbanda conseguimos nos religar com Deus, conseguimos tirar o véu que cobre nossa
ignorância da presença de Deus em nosso íntimo, então podemos chamar nossa fé de Religião. Como
mais uma das formas de sentir Deus em nossa vida, a Umbanda cumpre a função religiosa se nos levar à
reflexão sobre nossos atos, sobre a urgência de reformularmos nosso comportamento aproximando-o da
prática do Amor de Deus.
A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus
servidores: Crianças, Caboclos, Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda
"organizados" em linhas: Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Exus. Cada uma delas com funções,
características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas as forças da natureza que
os regem, os ORIXÁS.
Na verdade a Umbanda é bela exatamente pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma
religião totalmente brasileira.
Mas, torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma
de religião, expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o
surgimento, na 1ª década do século XX, da mesma. Em 1500, quando os portugueses avistaram o que para
eles eram as Índias, em realidade Brasil, ao desembarcarem depararam-se com uma terra de belezas
deslumbrantes, e já habitada por nativos. Os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias, denominaram a
estes aborígines de índios.
Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se
com alguns símbolos que os estrangeiros apresentavam. Porém, o tempo e a convivência se encarregaram
em mostrar aos habitantes de Pindorama (nome indígena do Brasil) que os homens brancos estavam ali por
motivos pouco nobres.
O relacionamento, até então pacífico, começa a se desmoronar como um castelo de areia. São
inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na novel lavoura. Reagem, resistem, e muitos são
ceifados de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar na Bahia os
primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são despejados também na lavoura. Como os
índios, sofreram toda espécie de castigos físicos e morais, e até a subtração da própria vida.
Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e
encarnavam nas Terras de Santa Cruz. Ora laborando no plano astral, ora como encarnados, estes
espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que seus
irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que lhes eram infligidos.
Além disso, muitas das crianças índias e negras, eram mortas, quando meninas (por não servirem para o
trabalho pesado), quando doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso
perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas, acabavam sendo mortas também, vítimas da revolta
de alguns índios e negros.
Juntando-se então os espíritos infantis, os dos negros e dos índios, acabaram formando o que hoje,
chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda. Assim, hoje vemos esses espíritos trabalhando para
reconduzir os algozes de outrora ao caminho de Deus.
A igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investiu covardemente para
eliminar as religiosidades negra e índia. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito "nobre" de
"salvar" a alma dos nativos e dos africanos.
A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade, fez com que os negros associassem as imagens dos
santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época, e assim
continuar a praticar e difundir o culto as forças da natureza, a esta associação, deu-se o nome de
"Sincretismo religioso".
O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos
culturais originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de
candomblé, predominando em cada nação tradições da cidades ou região que acabou lhe emprestando o
nome: queto, ijexá, efã. Esse candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua contrapartida em
Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal manifestação, e no Rio Grande
do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991). Outra variante ioruba, esta
fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além
dos candomblés iorubas, há os de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e
congo, e aqueles de origem marcadamente fom, como o jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tamborde-
mina maranhense.
Os anos sucedem-se. Em 1889 é assinada a "lei áurea". O quadro social dos ex-escravos é de total miséria.
São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social. Na parte religiosa
seus cultos são quase que direcionados ao mal, a vingança e a desgraça do homem branco, reflexo do
período escravocrata. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos
(mamelucos), cafuzos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes. O
catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo
(kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de
espíritos com o rótulo de "doutores". Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário existente, por ordens
diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os
espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de
suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.
Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases,
funções, atributos e finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro Religiões do
Rio, elaborado por "João do Rio", pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de
Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro,
àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao
conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito
Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando
pessoas e testemunhando fatos. Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em
nenhuma página desta respeitosa edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era
desconhecida.
A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas : a africana, a indígena e a européia.
Este processo foi marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em relação aos
demais. A perseguição se deveu a preconceitos e a crença da elite brasileira numa suposta alienação
provocada por estes cultos nas classes populares.
No início do século XX, o choque entre a cultura europeizada das elites e a cultura das classes populares
urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca
e na classe média vigorava o catolicismo ; nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande
a presença de rituais originários da África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais,
possuíam um caráter reservado.
Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser freqüentados por brancos e
mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o
caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos.
Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a
partir de semelhanças existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo.
Ao contrário do Candomblé, a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz
de adotar novos elementos. Assim o elemento negro trouxe o africanismo (nações); os índios trouxeram os
elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo e o Kardecismo; e, posteriormente, os povos
orientais acrescentaram um pouco de sua ritualística à Umbanda. Essas cinco fontes criaram o pentagrama
umbandista:


Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Branca, ou seja, aqueles feitos para
melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja.
Os espíritos da Quimbanda (Exus) podem, no entanto, ser invocados para a prática do bem, contanto que
isso seja feito sem que se tenha que dar presentes ou dinheiro ao médium que os recebe, pois o objetivo do
verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade.
Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê,
Ossãe, Logun-Edé. Mas os mesmos, na Umbanda, não incorporam e nem são orixás regentes de nenhum
médium.
Nós temos os nossos guias de trabalho e entre eles existe aquele que é o responsável pela nossa vida
espiritual e por isso é chamado de guia chefe, normalmente é um caboclo, mas pode ser em alguns casos
um preto-velho.
ASPECTOS DOMINANTES DO MOVIMENTO UMBANDISTA
Ritual, variando pela origem
Vestes, em geral brancas
Altar com imagens católicas, pretos velho, caboclos
Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro
Desenvolvimento normal em corrente
Bases; africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo.
Serviço social constante nos terreiros
Finalidade de cura material e espiritual
Magia branca
Batiza, consagra e casa
2.2 RITUAL
A Umbanda não tem, infelizmente, um órgão centralizador, que a nível nacional ou estadual, dite normas e
conceitos sobre a religião ou possa coibir os abusos. Por isso cada terreiro segue um ritual próprio, ditado
pelo guia chefe do terreiro, o que faz a diferenciação de ritual entre uma casa e outra. Entretanto, a base de
todo terreiro tem que seguir o principio básico do bom senso, da honestidade e do desinteresse material,
além de pregar, é claro, o ritual básico transmitido através dos anos pelos praticantes.
O mais importante, seria que todos pudessem encontrar em suas diferenças de culto, o que seria o elo mais
importante e a ele se unissem. Tal elo é a Caridade!
Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de palmas, nem mesmo se não há som. O que importa é a
honestidade e o amor com que nos entregamos a nossa religião.

(Este escrito fue sacado de un documento Pdf del cual no nombra su procedencia o escritor)