martes, 7 de octubre de 2008

OBALUAIÊ

Na Umbanda, o culto é feito a Obaluaiê, que se desdobra com o nome de Omulu. Orixá originário do
Daomé. É um Orixá sombrio, tido entre os iorubanos como severo e terrível, caso não seja devidamente
cultuado, porém Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de gestos
humildes, honestos e leais.Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar e Obaluaiê estabelece o cordão energético que une o
espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular
básico (órgãos físicos).
Ambos os nomes surgem quando nos referimos à esta figura, seja Omulu seja Obaluaiê. Para a maior parte
dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um
mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade. Já para alguns babalorixás, porém, há
de se manter certa distância entre os dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo
Orixá.
São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.
Um dos mais temidos Orixás, comanda as doenças e, consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe
Nanã, tem profunda relação com a morte. Tem o rosto e o corpo cobertos de palha da costa, em algumas
lendas para esconder as marcas da varíola, em outras já curado não poderia ser olhado de frente por ser o
próprio brilho do sol. Seu símbolo é o Xaxará - um feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios.
Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá Xapanã,
enquanto Omulu é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome
proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser
mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma
Obaluaiê é a que mais se vê. Esta distinção se aproxima da que existe
entre as formas básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a
forma jovem e Oxalufã a forma mais velha.
A figura de Omulu/Obaluaiê, assim como seus mitos, é completamente
cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a
essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças,
especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória
do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a
cura do mesmo mal que criou.
Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o
conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão
porém, é uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença
sob seu controle, simplesmente era a epidemia mais devastadora e
perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omulu/Obaluaiê, o
Daomé.
Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omulu/Obaluaiê é uma
criatura da cultura jêje, posteriormente assimilada pelos iorubás. Enquanto os Orixás iorubanos são
extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com
os seres humanos, as figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que
distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há aproximação, há de se temer, pois
alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico,
graves e conseqüentes em suas ameaças.
A visão de Omulu/Obaluaiê é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é
ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais
prováveis nos Orixás iorubás.
Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a iorubá, o que
pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de Omulu/Obaluaiê e Nanã (Orixá feminino),
freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios
de animais que lhe são feitos. Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando
que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.
Como parte do temor dos iorubás, eles passaram a enxergar a divindade (Omulu/Obaluaiê) mais sombria
dos dominados como fonte de perigo e terror, entrando num processo que podemos chamar de malignação
de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da
existência similar apenas de Ossãe). Omulu/Obaluaiê seria o registro da passagem de doenças epidêmicas,
castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de cada vez.
Obaluaiê, o Rei da Terra, é filho de NANÃ, mas foi criado por IEMANJA que o acolheu quando a mãe
rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de feridas. É uma divindade da terra dura, seca e quente. É às
vezes chamado "o velho", com todo o prestígio e poder que a idade representa no Candomblé. Está ligado
ao Sol, propicia colheitas e ambivalentemente detém a doença e a cura. Com seu Xaxará, cetro ritual de
palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser também a marca dos eleitos, pelos quais Omulu quer ser servido. Quem teve varíola é freqüentemente
consagrado a Omulu, que é chamado "médico dos pobres".
Suas relações com os Orixás são marcadas pelas brigas com
Xangô e Ogum e pelo abandono que os Orixás femininos legaramlhe.
Rejeitado primeiramente pela mãe, segue sendo abandonado
por Oxum, por quem se apaixonou, que, juntamente com Iansã,
troca-o por Xangô. Finalmente Obá, com quem se casou, foi
roubada por Xangô.
Existe uma grande variedade de tipos de Omulu/Obaluaiê, como
acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas
guerreiras e não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas
resumidos pelas duas configurações básicas do velho e do moço.
A diversidade de nomes pode também nos levar a raciocinar que
existem mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma
região, justificando que o Orixá é também conhecido como
Skapatá, Omulu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui.
Esta Grande Potência Astral Inteligente, quando relacionado à vida
e à cura, recebe o nome de Obaluaiê. Tem sob seu comando
incontáveis legiões de espíritos que atuam nesta Irradiação ou
Linha, trabalhadores do Grande Laboratório do Espaço e verdadeiros cientistas, médicos, enfermeiros etc.,
que preparam os espíritos para uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.
Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde, trazendo o bálsamo necessário para o
alívio das dores daqueles que sofrem.
O Senhor da Vida é também Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria. Assim, na hora
do desencarne, são eles, os falangeiros de Omulu, que vêm nos ajudar a desatar nossos fios de agregação
astral-físico (cordão de prata), que ligam o perispírito ao corpo material.
Os comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós
morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de
força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam
energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.